quarta-feira, 9 de junho de 2010

Prosaicas

A vida é bela, costuma dizer o jornalista e escritor Joaquim Maria Botelho (JMB), que no dia 16 receberá amigos e convidados para o lançamento do seu livro Redação Empresarial Sem Mistérios, da Editora Gente. Recém empossado como presidente da União Brasileira de Escritores (UBE), JMB traz o DNA da veneranda escritora Ruth Guimarães, ícone da literatura do Vale do Paraíba para São Paulo.

***

Não sei se a vida é mesmo bela como gosta de bordejar o JMB. Mas, considerando que ele é um sujeito espirituoso, frasista, otimista incorrigível, diria até que aprendiz de humorista, pode ser que essa muleta seja o seu bordão de cabeceira e funcione como graxa para sua auto-estima. E talvez porque este patuá seja bom é que as prosas com o Joaquim sempre são prazeirosas, produtivas. Algo que nos dias de hoje é avis rara.

Antes que me esqueça: o lançamento do livro dele será às 19h naquela butique de livros chiquésima que os franceses trouxeram para SP, a Fnac, no 901 da mais paulista das nossas avenidas, assim batizada pelo considerado e competente repórter Luis Carlos Gertel, da Rádio Bandeirantes.

***

Fiz esses prolegômenos falando do Joaquim para dar tratos à bola em torno de um costume ainda não arraigado nesse pedaço da América Latina e que atende pelo verbete ler, especialmente naquela parte em que Houaiss assim o define: dedicar-se, entregar-se à leitura como hábito ou como paixão. O costume de ler constrói a porta de entrada para a observação pontual do que nos rodeia – aquilo que leva o homem a mentalizar, a memorizar, enfim, a apreender e a aprender.

Puxando o fio da meada: pesquisa de dois anos atrás – não vi nada mais recente - informa que quase metade da população brasileira continua sem o mínimo tesão para ler livros. Ok, nada de novo no quartel de Abrantes. Ouço Stephen Kanitz criticando o obsoletismo pedagógico dos livros escolares. Vejo, ao mesmo tempo, algumas escolas investindo (por iniciativa própria) em projetos que levam o jornal para a sala de aula. Há, ainda, iniciativas de jornais em várias cidades brasileiras, que trabalham em sinergia com as escolas – em São Paulo, por exemplo, Piracicaba, Campinas, Santos, Araçatuba, Sorocaba. Outro dia volto a esse tema para falar do Jornal da Classe, projeto que acabo de desenvolver e que torna possível multiplicar, a custo quase zero, o acesso de toda a rede escolar de SP (professores e alunos) à leitura dos jornais diários.
***



Parafraseando a letra de Bailes da Vida, do Milton Nascimento, a leitura tem de ir aonde o povo está. Não há demanda sem oferta. Ou, como dizia minha tia-avó, não há leite sem vaca. A expansão das bibliotecas públicas, como a que foi recentemente inaugurada no Parque da Juventude, é um avanço nesse sentido. Uma bela obra, muito mais importante do que uma escola de dança. Mas, para ficar apenas na capital de São Paulo, ainda é muito pouco.
A falta de oferta mais generosa prejudica tanto quem gosta e procura livros quanto os que não têm onde buscá-los. Ah, mas o Acessa São Paulo é uma solução. Não, ainda não. É, de fato, belo programa, que já cadastrou cerca de 2 milhões de usuários em praticamente todo o território paulista. Poderia ser muito mais.

Não vai aqui nenhum tipo de crítica ao programa, que considero uma bela sacada mesmo que, noves fora, possa ter sido gestada a partir de um insight marqueteiro do governo. E não sei se foi o caso. O fato é que ofereceram a sobremesa quando ainda não havia sido posta nem a entrada do prato principal. Para usufruir de ferramentas modernas é preciso ter o fundamental. Digamos assim: se antes de inventar o Acessa SP o governo tivesse esparramado bibliotecas pelo estado inteiro, dois anos depois certamente colheria frutos de muito mais sustança.

Sabem o que é mais acessado na rede do Acessa SP? O Orkut. É o que diz a última pesquisa sobre o perfil dos usuários, tabulada em 2008. Nada contra. Embora tida como cultura inútil, a leitura de determinados sites de relacionamento não passa disso mesmo. E talvez seja por isso que o orkut esteja perdendo terreno no universo das redes sociais.

Voltando à vaca fria. Acabo de saber pelo Joaquim Maria Botelho que a UBE deve lançar, brevemente, um concurso de contos, poesias e crônicas sobre Direitos Humanos. E no próximo dia 17, na Biblioteca de São Paulo, o escritor Cláudio Willer faz palestra que terá como tema O Erotismo na Literatura.

Vou, mas volto. E isso é uma ameaça!

Nenhum comentário:

Postar um comentário