Vai se chamar Acalanto o mais recente trabalho do poeta Francisco Moura Campos, que será lançado no dia 13 de abril, às 20h, no Soteropolitano, Vila Madalena. Acalanto é o 11º livro do repertório desse poeta que nasceu em Botucatu, formou-se engenheiro em São Carlos, bebeu na fonte de Drummond – com quem trocou correspondências -, revelou talentos como editor e hoje também é diretor da União Brasileira de Escritores (UBE). A obra, como o próprio Chico Moura define, é uma seleção de textos que, direta ou indiretamente, têm como mote sua filha Mariana, sentido da vida e de sua poesia.
Já no prefácio, em versos, pode-se intuir a intenção do autor quando escolheu a data para o lançamento da obra: “Tudo acontece em abril, sumário do existido. Em abril nasceu Mariana, vinha carta de Drummond”. O escritor e crítico literário Fábio Lucas deteve-se nas minúcias dos textos e, entre outras conclusões, faz uma observação pontual da relação afetiva que permeia toda a obra: “A identificação se mostra tão soberana e impulsiva que falar do pai-autor será também dizer da filha, o outro lado da fusão sentimental”.
Drummond na cabeça
A iniciação literária de Chico Moura foi obra do acaso. Estudante na faculdade de Engenharia de São Carlos, o jovem fora à biblioteca em busca de informações sobre construção civil. Súbito, um objeto despenca da estante e, tum!, golpeia a testa do estudante. Era Antologia Poética, de 1962, primeiro contato que o neopoeta faria com Carlos Drummond de Andrade. Dali em diante surgiria uma cumplicidade que chegou a ameaçar a carreira do futuro engenheiro, tentado a se mudar para o curso de Letras.
O episódio, lembra o poeta, foi como um “estalo de Vieira”: despertou o literato que, criança em Botucatu, cresceu ouvindo a mãe ao piano e desfrutando dos ensinamentos de língua portuguesa do pai, advogado que era craque na matéria, e incentivado pelo professor Paulo Vieira. Naquele dia, na biblioteca da escola, Chico Moura fez o resgate. Passou a devorar tudo de Drummond, interagiu com a obra de outros mestres, como Bandeira, João Cabral de Melo Neto, Murilo Mendes, Jorge de Lima, Mário Quintana, Cecília Meirelles, Pessoa, Camões...
Mas seria mesmo o mineiro de Itabira a fonte em que Chico Moura buscaria seu espelho como fazedor de versos. Do livro de cabeceira em que Antologia Poética se transformou, Chico Moura estabeleceu com Drummond sinergia suficiente para sensibilizar o poeta maior a trocar correspondência. E uma delas, com a letra fina, miúda e caligráfica do mestre, Chico Moura eternizou na contracapa de sua Antologia Poética, lançada em 1998.
SERVIÇO
Lançamento do livro Acalanto
Autor: Francisco de Moura Campos
Local: Soteropolitano
Dia: 13 de abril - quarta-feira
Horário: 20h
Endereço: Rua Fidalga, 340 – Vila Madalena – (11) 3034 4881
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Atendimento à Imprensa
LCD Oficina de Textos
Contatos: Daniela Cabral – (11) 9106 1067
quinta-feira, 3 de março de 2011
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