quinta-feira, 10 de junho de 2010

Cartas na Mesa

Jornalista de carteirinha amarelada, sempre me chamou a atenção o pouco espaço dedicado pelos jornais às colunas de leitores e, em alguns casos, da edição mal-feita que distorce o entendimento da correspondência. Claro, o espaço – o tamanho do texto – deve ser limitado para que o maior número de pessoas possa ser atendido.

Aqui em São Paulo a nova e arejada direção do Diário de S. Paulo entendeu o recado e abriu quase toda a página 2 para seus leitores. Louvável. Nesse quesito, porém, os jornais da nossa valorosa imprensa regional dão de goleada. Falo de cadeira porque também sou clipador de jornais e leio diariamente pelo menos 30 dos principais do interior de São Paulo. Essa rotina do meu lado profissional sugere e vou iniciar, a partir de agora, a publicação de cartas de diferentes jornais de várias regiões do estado.

Penso que será ótimo exercício para conferir o que há de convergência entre regionalização e globalização, tema do jornalista Wilson Marini na sua última coluna Contexto Paulista, que ele escreve duas vezes por semana para 14 jornais regionais da APJ. Um trechinho do que nos interessa:
O futurólogo John Naisbitt, em seu clássico Megatrends, lançado no enigmático ano de 1984, antecipou uma mudança de comportamento nas cidades de todo o mundo que seria notada mais claramente no Interior de São Paulo nos últimos 10 anos com os efeitos da globalização.
Dizia Naisbitt que as pessoas passariam a viver uma espécie de "estado geográfico mental". Era a antevisão das chamadas comunidades virtuais, agora cada vez mais partilhadas. Quando Naisbitt fez essa previsão, ainda faltavam dez anos pelo menos para o início da era da Internet e da telefonia celular -- dois dos paradigmas que marcam fortemente o modelo atual de informações e interatividade (Para quem quiser ler a íntegra: http://www.apj.inf.br/detalhe_post_destaque.php?codigo=122).


ÀS CARTAS


JORNAL DE JUNDIAI (Opinião, 09/06/10)

DETALHE FAZ A DIFERENÇA
No jornal de domingo, 6, mais especificamente na coluna Letras, de autoria do editor-chefe, Sidney Mazzoni, estava escrito, no item "Três Toques", que um jovem drogado deu entrada em um hospital da região após tentar suicídio. No texto o editor-chefe escreveu que "a corda quebrou e ele só machucou o pescoço. Foi medicado e liberado. Horas depois, tentou de novo. A corda não quebrou." Como assim, a corda "quebrou"? Que eu saiba, corda não quebra, e sim, arrebenta. Me espantei ao ler o texto, uma vez que a única corda que se quebra, que eu saiba, é a de violão, e no texto não estava especificado que tipo de corda era. E imagino que o rapaz não tenha tentado se matar com uma corda de violão.Alex FerreiraNR: Caríssimo: comovente seu apreço pelo detalhe sobre a ´quebra´ da corda, que retardou o suicídio do jovem drogado. Realmente é de causar ´espanto´. Afinal, é extremamente relevante saber se a corda quebrou ou arrebentou. Isso muda tudo. As razões que levaram o jovem ao suicídio - ou se ele deveria ou não ter ficado no hospital ao invés de liberado, creio, pouco ou nada importam a você. É apenas um ´detalhe´. Importante é saber se a corda quebrou ou arrebentou, não é mesmo senhor Alex Ferreira?Sidney Mazzoni (Editor-Chefe do JJ Regional e autor de Letras)


TRIBUNA IMPRESSA/ARARAQUARA (02 de junho de 2010 às 22h57)
Jose Roberto do Carmo Bosso disse:
Gostaria de agradecer ao Conselho sobre drogas e a Prefeitura de Araraquara pelo empenho em trazer para cidade a peça teatral "AINDA". Pena que foi única apresentação, mas valeu, serviu para refletirmos de como estamos agindo em relação aos nossos filhos. Peço Se possível que repitam a dose e a divulgação seja maior. Muito Obrigado pela oportunidade.

FOLHA DA REGIÃO/ARAÇATUBA (DOS LEITORES – 10/06)

Vergonha!

Senhores vereadores o que está acontecendo? Tirem o rabo da cadeira e tomem providências, dê respeito os munícipes e ao funcionalismo público e respeitem a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, pois estamos indignados, e é como a deputada estadual Cidinha Campos (RJ) citou: a
corrupção deste País está no DNA dos políticos e não esqueçam, senhores
vereadores e em especial ao senhor prefeito, que faltam menos de três anos para a farra acabar, e depois não venha dizer para campanhas políticas em moral. Porque para ocupar um cargo público tem que ter notório saber e reputação ilibada, os senhores sabem o que é isso. João Marcello Rodrigues, funcionário público, Araçatuba.


A TRIBUNA/SANTOS (Do Leitor, 10/06/10)

Estação Santos

Fiquei muito emocionada ao ser recebida por Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade, entre outros mitos da nossa história, na inauguração da Estação Santos, no Centro Histórico de Santos. Confesso que, ao ser convidada por uma amiga, achava que ia conhecer mais uma casa de eventos, mas percebi que o investimento resgata nossa história. Agradeço e parabenizo aos idealizadores da Estação Santos pela noite memorável. MARIA ALICE COIMBRA - SANTOS


DIÁRIO DO GRANDE ABC (TRIBUNA DO LEITOR, 09/06/10)

Israel

O Mundo inteirinho grita contra atitudes ditas ‘violentas’ de Israel a embarcações semana passada. Mas fica a pergunta: como você se defenderia com vizinho que vive te atormentando, ameaçando, se armando de mísseis para atingir sua casa e prometendo te varrer do mapa? Beatriz Campos – Capital



CORREIO POPULAR/CAMPINAS (CORREIO DO LEITOR, 10/06/10)

Mancha de óleo

Habib Saguiah Neto
Aposentado, Marataízes (ES)
As imagens dos pelicanos encharcados de petróleo nas praias do Golfo do México são de entristecer, sobretudo na semana em que se comemora o Dia do Meio Ambiente, cada vez mais desdenhado ou ignorado. Estranho como um país do quilate tecnológico como os Estados Unidos ainda não descobriu uma fórmula para conter esse vazamento! Talvez se surgisse apenas um boato de que naquela tubulação estivesse saindo bombas do talibã, o vazamento já estaria contido.


COMÉRCIO DA FRANCA (OPINIÃO, 10/06/10)

Educação

É louvável o esforço e o incentivo que a prefeitura de Ibiraci tem feito para que seus estudantes tenham acesso ao ensino superior. Trata-se de meta do governo federal que, ao que podemos ver, surte efeito nos mais variados cantos do País. Este benefício é muito importante para quem o recebe e possibilita a elas poderem sonhar e buscarem um futuro melhor. Já foi provado que a educação é o caminho para mudar uma nação. Espero que estes incentivos continuem.João RobertoIbiraci – MG

O VALE/S. JOSÉ DOS CAMPOS (CARTA DO LEITOR, 09/06/10)

Lombadas

No Vale do Paraíba, em diversas cidades como Taubaté e Pinda, existem inúmeras lombadas para que se diminua a velocidade. Só que a maioria dessas lombadas, além de não terem um padrão, no caso serem da mesma
altura, não são totalmente visíveis, principalmente à noite. Tem que se ter solução para que elas sejam pintadas ou que se coloque algo definitivo para
que se tenha visão delas. Não sou contra as lombadas, porque realmente elas evitam alta velocidade, mas tem que sempre estarem bem visualizadas.
Acontecem acidentes devido a essas lombadas não serem sinalizadas
corretamente. As prefeituras é que deveriam ser multadas por essas lombadas incorretas e não só multar os carros. Deve ser feita uma sinalização definitiva e não só pintarem elas de amarelo na é poça de eleições. MANOEL LUIZ DA SILVA TAUBATÉ

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Prosaicas

A vida é bela, costuma dizer o jornalista e escritor Joaquim Maria Botelho (JMB), que no dia 16 receberá amigos e convidados para o lançamento do seu livro Redação Empresarial Sem Mistérios, da Editora Gente. Recém empossado como presidente da União Brasileira de Escritores (UBE), JMB traz o DNA da veneranda escritora Ruth Guimarães, ícone da literatura do Vale do Paraíba para São Paulo.

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Não sei se a vida é mesmo bela como gosta de bordejar o JMB. Mas, considerando que ele é um sujeito espirituoso, frasista, otimista incorrigível, diria até que aprendiz de humorista, pode ser que essa muleta seja o seu bordão de cabeceira e funcione como graxa para sua auto-estima. E talvez porque este patuá seja bom é que as prosas com o Joaquim sempre são prazeirosas, produtivas. Algo que nos dias de hoje é avis rara.

Antes que me esqueça: o lançamento do livro dele será às 19h naquela butique de livros chiquésima que os franceses trouxeram para SP, a Fnac, no 901 da mais paulista das nossas avenidas, assim batizada pelo considerado e competente repórter Luis Carlos Gertel, da Rádio Bandeirantes.

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Fiz esses prolegômenos falando do Joaquim para dar tratos à bola em torno de um costume ainda não arraigado nesse pedaço da América Latina e que atende pelo verbete ler, especialmente naquela parte em que Houaiss assim o define: dedicar-se, entregar-se à leitura como hábito ou como paixão. O costume de ler constrói a porta de entrada para a observação pontual do que nos rodeia – aquilo que leva o homem a mentalizar, a memorizar, enfim, a apreender e a aprender.

Puxando o fio da meada: pesquisa de dois anos atrás – não vi nada mais recente - informa que quase metade da população brasileira continua sem o mínimo tesão para ler livros. Ok, nada de novo no quartel de Abrantes. Ouço Stephen Kanitz criticando o obsoletismo pedagógico dos livros escolares. Vejo, ao mesmo tempo, algumas escolas investindo (por iniciativa própria) em projetos que levam o jornal para a sala de aula. Há, ainda, iniciativas de jornais em várias cidades brasileiras, que trabalham em sinergia com as escolas – em São Paulo, por exemplo, Piracicaba, Campinas, Santos, Araçatuba, Sorocaba. Outro dia volto a esse tema para falar do Jornal da Classe, projeto que acabo de desenvolver e que torna possível multiplicar, a custo quase zero, o acesso de toda a rede escolar de SP (professores e alunos) à leitura dos jornais diários.
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Parafraseando a letra de Bailes da Vida, do Milton Nascimento, a leitura tem de ir aonde o povo está. Não há demanda sem oferta. Ou, como dizia minha tia-avó, não há leite sem vaca. A expansão das bibliotecas públicas, como a que foi recentemente inaugurada no Parque da Juventude, é um avanço nesse sentido. Uma bela obra, muito mais importante do que uma escola de dança. Mas, para ficar apenas na capital de São Paulo, ainda é muito pouco.
A falta de oferta mais generosa prejudica tanto quem gosta e procura livros quanto os que não têm onde buscá-los. Ah, mas o Acessa São Paulo é uma solução. Não, ainda não. É, de fato, belo programa, que já cadastrou cerca de 2 milhões de usuários em praticamente todo o território paulista. Poderia ser muito mais.

Não vai aqui nenhum tipo de crítica ao programa, que considero uma bela sacada mesmo que, noves fora, possa ter sido gestada a partir de um insight marqueteiro do governo. E não sei se foi o caso. O fato é que ofereceram a sobremesa quando ainda não havia sido posta nem a entrada do prato principal. Para usufruir de ferramentas modernas é preciso ter o fundamental. Digamos assim: se antes de inventar o Acessa SP o governo tivesse esparramado bibliotecas pelo estado inteiro, dois anos depois certamente colheria frutos de muito mais sustança.

Sabem o que é mais acessado na rede do Acessa SP? O Orkut. É o que diz a última pesquisa sobre o perfil dos usuários, tabulada em 2008. Nada contra. Embora tida como cultura inútil, a leitura de determinados sites de relacionamento não passa disso mesmo. E talvez seja por isso que o orkut esteja perdendo terreno no universo das redes sociais.

Voltando à vaca fria. Acabo de saber pelo Joaquim Maria Botelho que a UBE deve lançar, brevemente, um concurso de contos, poesias e crônicas sobre Direitos Humanos. E no próximo dia 17, na Biblioteca de São Paulo, o escritor Cláudio Willer faz palestra que terá como tema O Erotismo na Literatura.

Vou, mas volto. E isso é uma ameaça!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Chico Mendes, 52

Viver é perigoso, dizia Guimarães Rosa. Já estava com o texto de estréia deste blog pronto para ser postado quando recebi a notícia de que o Chico Mendes havia nos deixado.Morrer é o capítulo final da vida. E é disso que as pessoas falam nos dias seguintes à morte, dependendo de como ela se deu.

O Chiquinho era chamado de Pelé pelos familiares. Logo que o conheci não entendi o por quê do apelido. Afinal, era baixinho, branquelo, o futebol nunca foi seu esporte predileto. Seu hobbye e orgulho era a Harley Davidson que o levava nas asas da liberdade aonde fosse. E foi a bordo dessa paixão que ele escreveu o último parágrafo de sua aventura terrestre. As inexplicáveis causas do acidente ficaram na curva de uma rua de Santana, bem perto de sua casa, quase em frente onde mora a irmã e a poucos metros do Raimundo, um dos points que freqüentava no fim de semana.

Aprendi a respeitar e a admirar o Chico logo de cara. É fácil identificar o bom caráter em poucos dedos de prosa. Quando, de fato, o sujeito é bom caráter. Altos papos sobre atividades e gostos comuns. E aos poucos vai ficando bem claro por que Pelé. Se alguém quiser saber exatamente a razão desse honroso apelido, não pergunte a nenhum dos familiares do Chiquinho. Claro, são suspeitos. Faça assim: dê um pulo até a página do jornalista José Neumanne Pinto na internet (http://blog.neumanne.jor.br/)., de quem Chico Mendes foi pai, irmão, filho, amigo e escudeiro fiel de tantos anos.
Chico, meu rapaz! Você vai fazer muita falta nesse deserto de idéias e de gente de bem. Aquele chopp com o Zé Neumanne no Bar Léo, que Você agendou, continua de pé. E, lá, brindaremos ao privilégio de tê-lo conhecido.